Filho Da Mãe De Isabella Marano
Jornalista, roteirista e atriz, Isabella Marano transforma maternidade real em humor e emoção nos palcos
Da infância repleta de brincadeiras de rua aos palcos do teatro, Isabella Perruso Marano sempre soube que a arte faria parte da sua vida. Nascida no Rio de Janeiro, a atriz, roteirista e jornalista cresceu cercada pela imaginação, criando shows para a família, cantando, dançando, desenhando e imitando pessoas. O talento para contar histórias também apareceu cedo. Era ela quem escrevia cartas para amigos e familiares, sem imaginar que anos depois faria da escrita uma profissão.
Embora tenha se formado primeiro em Jornalismo, Isabella nunca abandonou o sonho da atuação. Após um período trabalhando na área de comunicação e enfrentar uma fase de desemprego, decidiu ouvir aquilo que define como um chamado. Ingressou na Casa das Artes de Laranjeiras (CAL), onde se formou como atriz e consolidou sua trajetória nos palcos.
Ao longo da carreira, participou de montagens como “A Volta da Velha Senhora”, “Último Ensaio Beckett”, “A Mente Capta”, “In Extremis”, “A Serpente e Esta Criança”. Também integrou equipes de preparação de elenco para filmes e séries, ampliando sua experiência no audiovisual e aprofundando seu olhar sobre a construção de personagens.
Mas foi a maternidade que deu um novo rumo à sua carreira artística. Quando engravidou da filha Donatella, hoje com quatro anos, Isabella mergulhou em livros, pesquisas e conteúdos sobre criação de filhos. A expectativa era viver a maternidade perfeita apresentada nas redes sociais. A realidade, porém, foi diferente. A dificuldade para amamentar, o diagnóstico de baby blues e a frustração por não conseguir corresponder ao modelo idealizado fizeram com que ela percebesse que milhares de mulheres enfrentavam as mesmas angústias.
Foi então que começou a produzir vídeos mostrando o contraste entre expectativa e realidade da maternidade. O conteúdo rapidamente conquistou identificação nas redes sociais, especialmente entre mães que se sentem sobrecarregadas pela quantidade de informações e pela cobrança constante de perfeição.
Desse universo nasceu também uma das personagens que mais fazem sucesso em seus vídeos, a clássica mãe dos anos 90, inspirada em sua própria mãe, Sandra Marano. Direta, prática e defensora do famoso “você foi criado assim e não morreu”, ela se tornou o contraponto perfeito da maternidade contemporânea, marcada pelo excesso de informações, culpa e comparações.
A repercussão desse conteúdo despertou outro antigo sonho de Isabella: escrever seu próprio espetáculo. Assim nasceu Filho da Mãe, comédia escrita pela própria atriz em cerca de seis meses. O monólogo mistura histórias pessoais com relatos enviados por suas seguidoras e coloca em cena o encontro entre duas gerações de mães. De um lado, aquelas que criavam os filhos muito mais pelo instinto. Do outro, mães que tentam equilibrar educação positiva, especialistas, redes sociais e uma avalanche de informações.
O sucesso foi imediato. Em cartaz durante uma temporada no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, Filho da Mãe registrou lotação máxima nos quatro sábados em que esteve em cena. A excelente receptividade do público levou Isabella Marano a abrir uma sessão extra para atender à alta procura, consolidando o espetáculo como um dos destaques da programação teatral carioca.
Com humor, emoção e muita identificação, a peça mostra que talvez não exista uma maternidade perfeita. Existe, sim, uma geração de mulheres tentando acertar, conciliando diferentes formas de educar e descobrindo que cada família encontra o seu próprio caminho.
“O que eu mais quero que as pessoas levem para casa é que estamos fazendo o nosso melhor. Apesar da culpa, da comparação e da pressão das redes sociais, somos as melhores mães que nossos filhos poderiam ter”, afirma Isabella.
A resposta do público confirma que a mensagem chega ao coração. Entre risadas e lágrimas, muitas espectadoras relatam enxergar suas próprias histórias no palco.
“Uma mulher me disse que sabia que a peça tinha sido boa porque as bochechas dela estavam doendo de tanto rir. Outra chorava e ria ao mesmo tempo e falou: ‘Eu não sei se rio ou se choro’. Acho que isso resume muito bem a experiência da maternidade”, relembra a atriz.
Inspirada por nomes como Mônica Martelli, Paulo Gustavo, Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch, Isabella sonha em transformar Filho da Mãe em uma série ou filme. Enquanto isso, segue levando o espetáculo para novos públicos e produzindo conteúdo nas redes sociais, onde continua encontrando histórias que reforçam a certeza de que rir da maternidade também pode ser uma forma de acolhimento.
Classificação
12 Anos
Horário
Sáb 17h
Data
21 de Novembro
